Paz em Raman, Guerra no Mundo
Em 2009,
o governo de Raman conseguiu, inicialmente, conter a
disseminação do Toxoplasma gondii por meio de uma forte intervenção do exército nas ruas e da
construção de hospitais de campanha. O ano foi, em
grande parte, tranquilo, marcando o período em
que, pela primeira vez em muitos anos, o governo parecia cumprir efetivamente seu papel de protetor da
população.
No entanto,
a escassez de recursos se agravava rapidamente.
Diversos motins populares surgiram por toda a ilha, pressionando o governo a adotar medidas mais rígidas.
A resposta incluiu intervenção militar direta e a implementação de um racionamento de alimentos e
suprimentos, consolidando o controle estatal, mas ao custo do aumento da tensão social.
Enquanto isso no mundo, em 2009, após a perda de aproximadamente 25% da
população mundial pela fome, o mundo presenciou o surgimento de infectados. Pesquisas realizadas naquele ano
apontaram que o Toxoplasma presente nos solos assumia corpos humanos após a morte. Em agosto de 2009, uma
acusação levantada pelos EUA acendeu uma chama que logo saiu do controle.
O então presidente Thomas Richfield acusou o governo chinês de estar
envolvido em pesquisas ilegais que teriam culminado na mutação do Toxoplasma. À beira de um colapso quase
completo, o governo americano tomou medidas drásticas ao invadir áreas estratégicas próximas à Floresta
Amazônica na América do Sul.
Essa ação gerou uma polarização imediata entre diversos blocos
econômicos, causando pressão mundial entre países que se viram obrigados a escolher um lado. A ONU tentou
remediar a situação, mas com o número crescente de mortes, a escassez de recursos e a insuficiência dos
governos em avançar nas pesquisas sobre o Toxoplasma, a diplomacia tornou-se cada vez mais
impraticável.
Diante da invasão americana silenciosa pela Amazônia, o governo
brasileiro abriu mão da diplomacia e enviou tropas para conter o avanço na fronteira, com apoio de forças
chinesas. Sob o pretexto de assumir o controle sobre terras raras, petróleo e solos férteis, os EUA deram
início à Grande Guerra ao disparar mísseis contra Brasília.
Nesse mesmo período, em dezembro, Raman resistia com as fronteiras
fechadas e sem a presença do Toxoplasma, mas enfrentava conflitos internos cada vez maiores causados pela
fome. Ao perceber que o regime de Doutrina Fechada estava prestes a colapsar economicamente pela falta de
negociação externa, o governo decidiu abrir acordos com a Rússia em troca de tecnologias de plantio.